segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

[2008]

Depois de tanto tempo a presença volta, como se a pessoa estivesse ali. Olhando. E é então que a dor espreita baixinho. Mas grita-lhe que retorne para o seu canto e lá fique. Virada para a parede. Em penitência por todo o sofrimento que causou. Opção? Não. Ninguém opta pela dor e o sofrimento é sua conseqüência mais direta. É o corredor de passagem para a próxima porta. E pensar que havia amor. E pensar que havia os mais nobres sentimentos. Antes. Antes de sentir que a fantasia revela-se como a mais real manifestação de tudo que foi. Como a única que ficou. Nem ela está mais lá. Olha pela janela e vê em infinito. Imaginando-se olhada, pensa se a silhueta por trás da cortina lhe revela. Faz um gestual de pés delicadamente calculado. Assim permanece por alguns instantes. Fecha os olhos e sente o olhar do de dentro da sala. Uma conexão com o ir-real. Pronto. Após a elipse lapso, retoma a retina à rotina.