segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


[2005]

Perdida por entre penhascos
Alimentando tremores noturnos
Despencou para novos mundos
Encorajou-me um novo ser

Rodeada por estranhas criaturas
Com as entranhas tesas, duras
Percebi a morte a rondar-me
Estaria morta de verdade?

Arranquei as pedras com vigor
Que atrapalhavam meus movimentos
Senti novamente o ar
A encher os pulmões com os ventos

Que batiam em minha face
Cravada de feridas rotas
Abertas pela queda bruta
Doídas com sangue em gotas

Estava então viva
Em outro nível de existência
Mais livre do que antes
Mais pura, mais essência

Meus pés colocaram-se retos
No chão rochoso e frio
Senti-os leves e macios
Como se voar fosse certo

E voar consegui
Alto, bem alto e forte
Pude ver que não era morte
Era vida, liberdade afinal

E em um rasante desbravado
Colhi flores do penhasco
De onde havia pulado

Nesse momento enxerguei
Meu olhar arregalado
E as lágrimas que do meu parco mundo
Havia derramado