segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


[2010]

Presente [oni]presente


Foram saindo. Um a um. Alguns sem dizer Adeus. Outros, mais entusiasmados, aos gritos. Outros, mais discretos, à francesa para calar qualquer diálogo. Foram sim. Uns por escolha, outros por imposição e outros sem senões ou porquês. Só foram. Embora assim como quem não tem mais nada para dizer e não acrescenta mais nada com o que diz. Aí percebeu: já perdia de vista o passado. O presente se impôs onipresente, novinho em folha. As mágoas tomaram dias e dias de chuvas até se deixarem levar pelas corredeiras e se perderem num rio em que as lamentações são apenas os murmúrios das águas. Os rancores, mais ferozes, ficaram isolados e não foram mais alimentados. Acabaram comendo uns aos outros até que nadica deles sobrasse. As discussões cessaram quando o Silêncio chegou - imponente - com uma mudez de fazer ouvir o mais calado dos corações. Ali, a assistir a esse espetáculo da existência, ficou sem palavras para explicar e sem explicações para entender. E então, o dia fez-se.