[2007]
Às quartas-feiras
Envolvida na pressa cotidiana, nos compromissos inadiáveis, em trabalhos intermináveis. Na correria de ontem vejo pelo retrovisor tantos que ficam para trás. Desvio a atenção do espelho, que mostra o avesso do avesso da cidade e concentro-me no agora. Acompanhada pelo trânsito lento a pedir um pouco mais de calma. A vida não pára. Eu também não. Momentos, histórias, conquistas, sabores. Experimento. Insistente de que o encontro é inevitável, o amor é possível e o amanhã será melhor. Outros momentos, histórias, conquistas, sabores. Aqui há possibilidades para isso? Insisto por mais calma. Rotina agitada, idéias confusas, retina cansada, ideais desfeitos. A espera pelo encontro de olhares com a paz. De uma forma ainda discreta pode ser. Com uma certa deselegância. Fora das grandes ocasiões não há etiquetas. Pode ser. Em meio às tantas informações da cidade, café cigarros e serenidade. Em passos e [des]compassos, traçando caminhos abstratos no concreto. Às grandes ocasiões, que pululam com a força da grana em meio a feia fumaça que sobe, respondo: - Prefiro as quartas-feiras.