segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


[2007]

Às quartas-feiras


"Que bobagem falar que é nas grandes ocasiões que se conhece os amigos! Nas grandes ocasiões é que não faltam amigos. Principalmente neste Brasil de coração mole e escorrendo. E a compaixão, a piedade, a pena se confundem com amizade. Por isso tenho horror das grandes ocasiões. Prefiro as quartas-feiras."(Mário de Andrade)

Envolvida na pressa cotidiana, nos compromissos inadiáveis, em trabalhos intermináveis. Na correria de ontem vejo pelo retrovisor tantos que ficam para trás. Desvio a atenção do espelho, que mostra o avesso do avesso da cidade e concentro-me no agora. Acompanhada pelo trânsito lento a pedir um pouco mais de calma. A vida não pára. Eu também não. Momentos, histórias, conquistas, sabores. Experimento. Insistente de que o encontro é inevitável, o amor é possível e o amanhã será melhor. Outros momentos, histórias, conquistas, sabores. Aqui há possibilidades para isso? Insisto por mais calma. Rotina agitada, idéias confusas, retina cansada, ideais desfeitos. A espera pelo encontro de olhares com a paz. De uma forma ainda discreta pode ser. Com uma certa deselegância. Fora das grandes ocasiões não há etiquetas. Pode ser. Em meio às tantas informações da cidade, café cigarros e serenidade. Em passos e [des]compassos, traçando caminhos abstratos no concreto. Às grandes ocasiões, que pululam com a força da grana em meio a feia fumaça que sobe, respondo: - Prefiro as quartas-feiras.