[2013]
O tic tac descompassado pelos atentos olhares e risadas que rondam o edifício, os gritos e helicópteros em torno silenciam ao toque. Estanca o relógio e se inicia a melodia de um milênio inteiro. A música toma conta do ambiente que é o universo infinito das sensações encontradas dos desencontros sutis de almas irmãs. Sobe ao céu o louvor sem religião daqueles que brilham sem querer. Brilham e pronto. Assim, simples. Nem percebem, se esbarram em explosões de luminosidade e criam no espaço imagens mitológicas dos momentos de glória de outras terras. Que hoje são estas. Vagueiam em presságios de negros tempos que passam. Tudo passa, com ou sem o descompasso do relógio. Matéria tão efêmera para algo tão grandioso como o tempo. O tempo que nem esse nome tem. O que é indizível e mutante. Dono deste milênio revelado e dos próximos, e dos passados. Todo senhor das gloriosas mudanças e das pequenas eternidades. Perenes. Resistentes ao grito escandaloso dos santuários quebrados. Santuários que não se guiam por religião. Apenas são. Assim. Simples. Deixa escorrer a liturgia com letras douradas pelas mangas rendadas do vestido. Sentada anônima no meio da multidão tenta pegar as letras no espaço, ler as frases no ar. Mas escapam-lhe enquanto [estupefata] vai voltando à realidade-ilusão da temporalidade deste mundo de conceitos práticos e limitados. Abre os olhos e agora caminha com esta visão. Não dá para esquecer. Tambores repicam. Rufa o vento. Vai.
O tic tac descompassado pelos atentos olhares e risadas que rondam o edifício, os gritos e helicópteros em torno silenciam ao toque. Estanca o relógio e se inicia a melodia de um milênio inteiro. A música toma conta do ambiente que é o universo infinito das sensações encontradas dos desencontros sutis de almas irmãs. Sobe ao céu o louvor sem religião daqueles que brilham sem querer. Brilham e pronto. Assim, simples. Nem percebem, se esbarram em explosões de luminosidade e criam no espaço imagens mitológicas dos momentos de glória de outras terras. Que hoje são estas. Vagueiam em presságios de negros tempos que passam. Tudo passa, com ou sem o descompasso do relógio. Matéria tão efêmera para algo tão grandioso como o tempo. O tempo que nem esse nome tem. O que é indizível e mutante. Dono deste milênio revelado e dos próximos, e dos passados. Todo senhor das gloriosas mudanças e das pequenas eternidades. Perenes. Resistentes ao grito escandaloso dos santuários quebrados. Santuários que não se guiam por religião. Apenas são. Assim. Simples. Deixa escorrer a liturgia com letras douradas pelas mangas rendadas do vestido. Sentada anônima no meio da multidão tenta pegar as letras no espaço, ler as frases no ar. Mas escapam-lhe enquanto [estupefata] vai voltando à realidade-ilusão da temporalidade deste mundo de conceitos práticos e limitados. Abre os olhos e agora caminha com esta visão. Não dá para esquecer. Tambores repicam. Rufa o vento. Vai.