segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


[2010]

Eu não gosto das segundas. Elas deveriam ser a extensão do domingo. Segunda-feira tem gosto de maresia. Ainda se sente o cheiro do mar morno do entardecer do domingo, quando as ondas batem preguiçosas sobre as pedras. Mas não é por isso que não gosto das segundas. É porque enquanto o mar insiste latente em minhas narinas e em meu paladar, o mundo pede pressa. Aliás, o mundo pede cada vez mais pressa. Pra onde vocês estão correndo tanto, minha gente? E eu estou um pouco cansada dessa mania de andar ligeiro que pegou o mundo. Há pouco tempo descobri que o meu tempo não é deste mundo. E parei de me culpar por não acompanhar passos acelerados. Na época em que morava perto da Serra da Cantareira, eu pegava o carro e ia para lá nos momentos em que a pressa espreitava o meu cangote. Ninguém nunca que soube onde eu estava nessas tardes, geralmente eram tardes. Não que eu seja uma amante da natureza, apesar de gostar mais do mar do que de gente. Pronto. Confessei. Estou cansada de correr para não sei onde atrás de não sei o quê. Que mundo besta. E o mar está lá. Uma entidade a parte. Indo e vindo com suas ondas. No seu ritmo. Esvaziando-se nas noites de Lua Minguante, murmurando nas noites de Lua Nova, rindo-se nas da Lua Crescente para a efusão de todos os seus aromas e humores na Lua Cheia. Ou não. Não sei. Estou longe do mar. E sinto.