Sampa Cara e Coragem
Cidade de contraste étnicos, financeiros, culturais, São Paulo é marcada pelas diferenças. Seus prédios, suas atividades, seu cotidiano e seus moradores: pluralidade. Cidade de todas as raças, povos, de todas as cores. Informação, dinheiro, emprego, trabalho. Desemprego, desigualdade, marginalidade: divergências! Cidade que pulsa em ritmo frenético e acelerado. E que restringe aos olhos, preocupados e ansiosos em acompanhá-lo, momentos contemplativos, de descanso, de encontros e de concordância entre tantas informações. São Paulo abriga centenas de personagens de diversos pontos do País, com as mais diferentes histórias dos mais diferentes sonhos. Sucessos e fracassos. Vitórias e derrotas de quem nunca cansa de lutar. Lutas e batalhas de quem nunca cessa sua busca. Personagens que garantem os alicerces dos prédios, que pavimentam as ruas, que constituem todos os outros órgãos do coração financeiro da metrópole. Cidade que inspira tanta garra e guarda também os tesouros dos corações mais esquecidos. Personagens que se excluem - ou são excluídos - da corrida cotidiana de São Paulo pela eterna modernidade e enriquecem seu caminho com um outro tipo de olhar, diferente da corrida exclusiva pela grana, pela fama, pelo poder, pela informação. Carregados pela sua própria alma, ilustram em poesias, em projetos, em arte, em fotografia, em resgates, as flores, as raízes, as nascentes e os vales da poderosa gigante de concreto. Tesouros escondidos apenas a olhos que não se permitem enxergar, pois estão em todas as suas esquinas, em todas as ruas, em todos os prédios. Provavelmente, em nossa pressa cotidiana, esbarremos em muitos deles diariamente. Mas, a única atenção que nos permitimos, é um pedido de desculpas, um obrigado ou um xingamento. Ou ainda, o medo. Com os vidros cerrados e os olhos no farol que não abriu, no ônibus que ainda não chegou, no horário a cumprir, esperamos, corremos. E perdemos a oportunidade de contemplar tudo o que está a nossa volta. O feio e o bonito, o bom e o mau, a guerra e a paz. Tudo isso refletido em tantos rostos, tantos gestos e e tantas histórias que habitam também o mais profundo de cada um de nós.
Clarissa Cor (2006)