segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
[2004]
Entre encontros e bebedeiras
Entre chuvas e baladas
Fui te vendo noites inteiras
Fui te encontrando pelas estradas
Quando ao ponto da chegada
De um encontro verdadeiro
Descruzamos os caminhos
Por medos tão mesquinhos
Seguimos vias paralelas
Sempre a espera de um retorno
Na cabeça o arrependimento
No coração o eterno sonho
Arrependimento revolucionado
Por um encontro inesperado
Que coloca de volta o passado
Em um presente escancarado
De dois dementes apaixonados
Que entre a lua e a rua
Entre os carros e os postes
Carregam suas almas nuas
Não há como fugir da sorte
E envolvidos novamente
entre beijos adocicados
esquecem-se por momentos
do antigo medo do passado
Pela paixão que remexe
As vísceras e a alma
De quem encontra no outro um abrigo
De quem sente no outro a calma
Voltam a sonhar os sonhos reprimidos
Mas deixam novamente o ser amado
Para cair no ardiloso e sofrido
Desespero de não querer ver cultivado
O amor pelo outro cultuado
Eis que surge como recado
Que mais uma vez na rua em lua branda
Deixar-se entregar a esta serena ciranda
E dançar esta valsa de amigos enamorados
É mais virtuoso que qualquer abrigo
É menos perigoso que qualquer pecado
Dos corações que se tocam
Das almas que se vêem além
Dos beijos que sempre existiram
E Sempre existirão
Vão de mãos dadas para o nada
De mãos dadas com os pés no chão
Que se apresentam mesmo que por diferentes estradas
Sentindo as palmas do outro nas mãos
Mas chega uma hora
Que a ausência dos corpos novamente vigora
Maldita seja a matéria
A célula, o tato, o toque
Que torna necessária a presença
E que torna a saudade e a ausência
Desespero e um eterno chamado
Bendito o reencontro
E todos aqueles tremores
Quando sentimos o outro
Disfarçando no corpo os ardores
Tudo está retomado
Matéria. Etéreo é passado
Voltamos às bebedeiras noturnas
Voltamos ao mundano tratado
Dos encontros apaixonados
Dos beijos escancarados
Quando novamente a ausência retorna
E é a espera o tormento
O tormento é o passado
Maldita seja a lembrança
Maldita a saudade, a esperança
Desgarro do ninho meu laço da morte
Derramo o sangue que antes era vinho
Que embriagava nossas noites de amores sedentas
Que agora colocaram em minha vida tormentas
Sangue quente que corre meu corpo
Do teu ar ainda se alimenta
Para na veia continuar vibrando
Para meu coração continuar pulsando
Quando vejo novamente você de volta sorrindo
E sinto você de volta abrindo
A porta da vida e fechando o que outrora era chaga, ferida
Amor nunca morre, renasce , resplandece
Sobrevive, aquece e nutre a luz que circula
E renova no corpo as células todos os dias
Sobrevive sempre da eterna alegria
Do eterno retorno e da interseção das almas
Que é fato, estarão sempre juntas
Escritas nas palmas
Amor é sempre reticências
Ponto e vírgula
Dois pontos
Mas nunca ponto final
É sempre amor
Sempre fato, nunca fatal.