[2009]
Porque há desejo em mim, é tudo cintilância (hilda hilst)
Multiplicar poeira de estrela num esfregar de olhos a corar face quente-rubi. Rubor de acordar desarrumada. Café, pé, pão, chão e assoalho. Passos que rearranjam um caminho coral e alga marinha. Quente, frio. Quente, frio. Carmim e azul. Sangue-ar. Rumo de alvoroços silenciosos, ruidosos sussurros, palavras amenas e não-respostas que (às vezes) perguntam. [Es]preguiça num gemido-suspiro que arranha a garganta e tateia o ar. O esfregar de olhos espalha a poeira estrela dourada pelo vento-janelaberta. Coração? Traz no peito-pulso. Baixinho. O suficiente para ouvir que no pulso-veia corre canção, escrituras, liturgia. Desenhos com poeira de estrelas em pergaminho. Corre sangue-rubi da face quente-rubra. É tempo de frio. Azul e Carmim. Rosto corado revela quente-dentro. Amanheceu.