segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


[2009]

O desconhecido da Vida


Não sabia mais o que era. Seus pensamentos misturavam-se à fina flor dos dias e das noites. Seus movimentos eram a extensão do mundo. Movia-se com a delicadeza e força dos livres de espírito. E não saber mais o que era sagrava-lhe a infinita possibilidade do tudo. Mesmo que este ainda não existisse.

Flutuava, plainava leve e solta sobre os acontecimentos. A respiração era a única aproximação com sua raça. Os vis de coração nao a tocavam mais. O seu encontrava-se puro como o orvalho que acaba de se formar e escorrega pela folha como uma criança recém-criada.

Não via a maldade. Esta lhe escapava perante as cores do mundo. Adensava-se suave a cada movimento na certeza de integrar-se ao todo. E o tudo, antes inexistente, começava a escorrer junto ao sangue das veias.

Não era felicidade. Era movimento. Tornara-se uma desconhecida. Desconhecida aos mais próximos a si. Até a si mesma. E era ali que concentrava-se a possibilidade do tudo. Do desconhecido da vida.