segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


[2007]

Mais que qualquer encanto


Meu tempo demora. Para o amor, para a dor, para acontecer uma paixão e para ela ir embora. Sou distraída para as horas. Mas extremamente concentrada para o que encanta a minha Alma. Quando isso acontece, você terá a nítida impressão de que é Ela que anda, não meu corpo. E esse movimento pode ser encantador ou devastador, se é que falo de duas coisas distintas. Se você não for capaz de deixar-se devastar pelo encanto, ou não acredita nisso, saia da minha vida antes de fazer parte da minha estória. Por favor. Pois meu tempo demora. E eu não vejo encanto na dor. Não acredito que ela ensina algo. A dor provoca feridas difíceis de curar. Deixa marcas que permanecem mais que a minha risada com a melodia de palavras inventadas num domingo à noite. Mais intensas que o cheiro de sândalo da tua declaração de amor num domingo de manhã. Amargas. Diferente da água doce na boca pela espera de um beijo nosso debaixo da chuva. E suas deformidades matariam a perfeição daquelas flores. Visíveis. Mais que a ternura do meu olhar. Demoradas. Mais que o tempo. Devastadoras. Mais que qualquer encanto.