segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
[2007]
Sabe aquele dia em que você acha que se a burrice tivesse um nome esse nome seria o seu? Pois é. Todo mundo sente-se assim um dia na vida. Quem não se sentiu assim não teve a sorte de dar um pulo na existência. Aquele pulo que faz você passar de um ponto a outro em uma só tacada, na velocidade de um trem bala. Claro que para isso você nadou um oceano, mas com certeza ganhou a força de Hércules com essa jornada. No final, quando percebe que tudo isso só pode ter acontecido por pura burrice é um alívio. Porque é nesse momento que acontece o salto. De repente você sente a inteligência infiltrar-se novamente pelos seus poros, você percebe-se novamente como um ser pensante. Infinitas possibilidades abrem-se a sua frente e é como se o mundo voltasse a existir. Não importa mais se a burrice tomou conta do seu ser por um determinado tempo, que ele tenha durado uma eternidade. Você voltou. E a sua volta determina novamente que você resgate a sua identidade, seu nome, sua inteligência e sua capacidade.
Mas a burrice à qual me refiro tem porto certo. E uma vez ou outra desembarcamos nele e ficamos lá, em suas margens, nos achando seguros. O problema, é que é nesses momentos que estamos mais à deriva. Encontrar-se à deriva, no entanto, não é de todo ruim. Um barco à deriva sempre encontra novos horizontes. Por isso é tão contraditório nesses instantes decidir abandonar esse barco. A sensação é de segurança e aventura ao mesmo tempo. Quem já se apaixonou sabe. Sim, é dela que estou falando. Da paixão. Quem não acha que paixão é uma mistura de segurança e aventura? A mais doce contradição e mais perdoável burrice que pode acontecer.