[2009]
Ela tinha o tom do mar, olhar de estrela, pele de areia. Ela era morena azul chumbo e brilhava concha branca em dia de sol. Brincava de água e dançava nas ondas. Ela era madrugada. Aquela hora em que a noite parece ter preguiça de despertar e o sol vai chegando, de mansinho, e a lua resiste. Permanece alta e redonda. Ela era curva de lua e tinha sua magia. rodopiava na areia até ficar tonta. Depois afundava os pés na beira d’água e via –pouco a pouco – serem encobertos pela areia que dissolvia com a onda. Ficava assim por instantes longos, até que fincasse como raiz na praia. Sua raiz estava no mar. Sua mais forte veia, seu alimento. E seu sal.