[2010]
DOS SILÊNCIOS
Me pego em labirintos sem saída, como se um caminho repetido atravessasse meu passo. Me perco no compasso de pensamentos e ações, embora saiba - in-fi-ni-ta-men-te bem - o que se passa no meu peito e na minha alma. A comunicação me trai, perdi a dose das palavras, perdi o senso comum, perco o tom. E eu que quero tanto dançar, me entrego ao silêncio. Uma das únicas vias que conheço bem ultimamente. Um dos únicos rastros que percebo de mim. Escuta. Eu não sei mais dar porrada. Minhas mãos amolecem no ar antes de tocar qualquer forma viva - distante ou perto. Me afasto, me calo, tolero, respiro fundo o agudo da agulha que trespassa miúda a carne e sangra. Tempos vazios. Tempo vil. E a partir de hoje em muito tempo que constato agora, só guardo em mim a vontade de cuidar. E ser cuidada. E não é só para variar.